Recarga

Carregar carro elétrico em casa: quanto custa e como calcular

Veja como calcular o custo de carregar carro elétrico em casa com a tarifa da distribuidora, tarifa branca e comparação com gasolina e etanol.

Carregar carro elétrico em casa: BMW i3 marrom carregando na garagem de casa com cabo azul ligado a um wallbox, ilustrando…
Foto: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) · licença

Quem pensa em comprar um elétrico quer saber, antes de tudo, quanto vai pagar na conta de luz. A boa notícia é que carregar carro elétrico em casa costuma custar bem menos que abastecer com gasolina, mas o valor exato depende da tarifa da sua distribuidora, do consumo do modelo e das perdas na recarga.

Neste guia, você aprende a fazer a conta passo a passo, vê exemplos com modelos vendidos no Brasil, entende o papel da tarifa branca e compara o resultado com gasolina e etanol.

Como calcular o custo de carregar carro elétrico em casa

A conta tem poucos ingredientes. Você precisa saber quanto o carro consome (em kWh por 100 km), quanto sua distribuidora cobra pelo kWh e quanto de energia se perde no carregamento.

A fórmula prática é esta:

  • Custo por 100 km = consumo em kWh/100 km × fator de perdas × preço do kWh.
  • Custo mensal = quilometragem do mês ÷ 100 × consumo × fator de perdas × preço do kWh.

Nem toda a energia que sai da tomada chega à bateria. As fontes consultadas apontam perdas na faixa de 5% a 15%, conforme a qualidade do carregador, a temperatura e a potência. Uma margem de 10% é um bom valor para simulações, o que equivale a multiplicar o consumo por 1,1.

Onde achar a tarifa e o consumo do carro

O preço do kWh aparece na sua conta de luz e muda conforme a distribuidora, os tributos e a modalidade tarifária. Como referência, uma das fontes cita a tarifa média residencial brasileira de R$ 0,656 por kWh em 2024, segundo a Aneel. Outra usa cerca de R$ 0,70 por kWh como valor aproximado de 2025. Em simulações, é comum adotar R$ 1 por kWh para facilitar a conta e cobrir cenários mais caros.

O consumo de cada modelo está no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, que publica o dado em MJ/km. Para converter, lembre que 1 kWh equivale a 3,6 MJ.

Exemplo rápido

Um elétrico que consome 15 kWh/100 km, com 10% de perdas, puxa 16,5 kWh da rede a cada 100 km. A R$ 1 por kWh, são cerca de R$ 16,50 por 100 km. A R$ 0,80, o custo cai para R$ 13,20; a R$ 1,20, sobe para R$ 19,80.

No mês, com a tarifa a R$ 1 por kWh e as mesmas perdas, rodar 1.000 km custa cerca de R$ 165. Com 1.500 km, são R$ 247,50, e com 2.000 km, R$ 330. Esse é o custo de carregar carro elétrico em casa em três perfis de uso.

Exemplos com modelos vendidos no Brasil

Aplicando o consumo do PBEV convertido para kWh e acrescentando 10% de perdas, uma das fontes chegou aos seguintes custos por 100 km a R$ 1 por kWh. As colunas de R$ 0,80 e R$ 1,20 foram calculadas por nós, de forma proporcional, para você ver o efeito da tarifa.

Modelo R$ 0,80/kWh R$ 1,00/kWh R$ 1,20/kWh
Geely EX2 R$ 9,54 R$ 11,92 R$ 14,30
BYD Dolphin GS R$ 10,26 R$ 12,83 R$ 15,40
Chevrolet Spark EUV R$ 12,22 R$ 15,28 R$ 18,34
GWM ORA 03 BEV58 R$ 12,95 R$ 16,19 R$ 19,43

Esses números são conversões teóricas, não testes de estrada. Ar-condicionado, relevo, temperatura e estilo de condução mudam o consumo real.

Quanto custa carregar carro elétrico em casa: carga completa do BYD Dolphin Mini

O Dolphin Mini tem bateria de 38,88 kWh e autonomia estimada de até 280 km, segundo o fabricante. Com a tarifa média de R$ 0,656 por kWh, uma carga de 0% a 100% sairia por aproximadamente R$ 25,50. Os valores mudam com a tarifa da sua cidade e com as perdas do carregador: para colocar 38,88 kWh na bateria, o medidor pode registrar de 43 a 45 kWh.

Na tomada comum de 220 V, a carga completa leva de 12 a 15 horas. Com wallbox, cai para 6 a 8 horas, sem mudar o preço da energia, apenas a conveniência.

Bateria maior, recarga mais cara

Uma das fontes cita o Renault Kwid E-Tech com bateria de cerca de 26 kWh e o BYD Seal com até 82 kWh. A carga completa do segundo custa bem mais em valores absolutos, mas o que importa para comparar é o custo por quilômetro. Na prática, quase ninguém zera a bateria: recarregar a partir de 20% ou 30% reduz o gasto por sessão.

Tarifa branca: vale a pena para quem carrega à noite?

Na tarifa branca, o kWh varia ao longo do dia e costuma ser mais barato fora do horário de ponta. Como o carro fica parado na garagem à noite, a recarga se encaixa bem nessa lógica. Uma das fontes menciona descontos que podem chegar a 50% em alguns horários, o que levaria uma carga de R$ 25,50 para cerca de R$ 13.

Há dois cuidados. O primeiro é que os horários e os valores dependem da sua distribuidora, então vale conferir a tabela dela antes de aderir. O segundo é que, no horário de ponta, a tarifa branca fica mais cara que a convencional. Se o resto da casa consome muito nessa faixa, a economia pode diminuir. Para quem vai carregar carro elétrico em casa quase sempre de madrugada, a modalidade tende a compensar, mas compare com sua conta atual.

Bandeira tarifária também entra na conta

A bandeira tarifária pesa pouco, mas existe. Em setembro de 2026, a Aneel manteve a bandeira amarela, que adicionou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Isso representa cerca de R$ 0,31 por 100 km para um carro que usa 16,5 kWh nesse trecho. A bandeira pode mudar todo mês.

Energia solar

Quem tem sistema fotovoltaico pode reduzir bastante o custo líquido, e há relatos de custo próximo de zero em períodos de geração abundante. Mas isso exige investimento inicial, depende das regras de compensação e da diferença entre o horário em que o sistema produz e o horário em que o carro carrega. Para quem quer carregar carro elétrico em casa com energia própria, vale simular antes.

Comparação com gasolina e etanol

Na semana de 13 a 19 de setembro de 2026, a gasolina comum custou em média R$ 6,54 por litro no Brasil, segundo a ANP. Um carro que faz 12 km/l gasta cerca de 8,33 litros a cada 100 km, o que dá aproximadamente R$ 54,50. Para 1.000 km por mês, são cerca de R$ 545 em gasolina, contra R$ 119 a R$ 162 de um elétrico eficiente carregado em casa a R$ 1 por kWh, segundo os custos por 100 km da tabela acima.

Em outra simulação, rodar 5.000 km por mês levaria um motorista de aplicativo de cerca de R$ 2.725 em gasolina para algo entre R$ 596 e R$ 810 em eletricidade, uma economia de aproximadamente R$ 1.900 a R$ 2.130 por mês só em energia. Nesse cálculo não entram parcela, seguro, manutenção, depreciação nem instalação do carregador.

E o etanol?

As fontes consultadas não trazem preço nem consumo médio do etanol, então não vamos inventar números. Você mesmo faz a conta em três passos:

  1. Divida 100 km pelo consumo do seu carro com etanol (em km/l) para achar os litros gastos.
  2. Multiplique pelo preço do litro no posto onde abastece.
  3. Compare com o custo por 100 km do elétrico calculado com a sua tarifa.

Como o etanol rende menos que a gasolina por litro, vale usar o consumo real do seu carro, e não o da gasolina.

Casa versus eletroposto público

Em casa o kWh costuma ser a opção mais barata. Nos eletropostos, as fontes indicam preços de R$ 1,50 a R$ 2,50 por kWh, e uma delas chega a R$ 3,50 em carregadores rápidos. Para o Dolphin Mini, isso significa de R$ 58 a R$ 97 por carga completa. Os eletropostos definem os próprios preços, e não há tarifa nacional.

Para quem depende só de recarga pública, a vantagem sobre a gasolina diminui, e o tempo parado também custa, principalmente para quem trabalha com o carro. Redes de varejo, shoppings e concessionárias às vezes oferecem recarga gratuita ou programas de desconto. Ainda assim, carregar carro elétrico em casa segue sendo o caminho mais previsível.

Como reduzir a conta e o que mais considerar

  • Programe a recarga para o horário mais barato da sua modalidade tarifária.
  • Escolha um carregador de qualidade: wallbox com eficiência de 85% a 95% desperdiça menos que uma tomada comum, que aquece mais.
  • Confira a tarifa real na conta de luz, com impostos, em vez de usar a média nacional.
  • Inclua a instalação: o wallbox e a adequação elétrica da garagem são custos a mais, e os valores dependem do imóvel.

Se você ainda está decidindo entre as tecnologias, vale ler também o guia sobre a diferença entre carro elétrico e híbrido, já que o híbrido comum não se carrega na tomada.

Conclusão: a conta fecha para quem vai carregar carro elétrico em casa

Com tarifa residencial entre R$ 0,65 e R$ 1 por kWh, o custo de rodar 100 km num elétrico eficiente fica na casa de R$ 9 a R$ 20, contra cerca de R$ 54,50 na gasolina em um carro de 12 km/l. Para quem pode carregar carro elétrico em casa, a economia mensal em energia é grande, e cresce com a quilometragem.

Ela não é o único item da conta: preço do carro, financiamento, seguro e instalação do carregador entram no custo total. Pegue sua última conta de luz, anote o preço do kWh e use a fórmula deste artigo com o modelo que você tem em mente.

Perguntas frequentes

Quanto custa carregar carro elétrico em casa por 100 km?

Em um elétrico que consome 15 kWh/100 km, com 10% de perdas, são cerca de R$ 16,50 por 100 km quando o kWh custa R$ 1. A R$ 0,80 o valor cai para R$ 13,20, e a R$ 1,20 sobe para R$ 19,80.

Quanto custa carregar carro elétrico em casa no caso do BYD Dolphin Mini?

Com a tarifa média residencial de R$ 0,656 por kWh, uma carga de 0% a 100% custa aproximadamente R$ 25,50. A bateria tem 38,88 kWh e o valor varia conforme a tarifa da sua distribuidora e as perdas do carregador.

A tarifa branca compensa para carregar carro elétrico em casa?

Pode compensar para quem recarrega de madrugada, quando o kWh costuma ser mais barato. Uma das fontes cita descontos de até 50% em alguns horários, mas os horários e valores dependem da distribuidora, então confira a tabela antes de aderir.

Carregar carro elétrico em casa é mais barato que abastecer com gasolina?

Sim. Com gasolina a R$ 6,54 por litro e um carro de 12 km/l, os 100 km custam cerca de R$ 54,50, contra R$ 11,92 a R$ 16,19 em elétricos eficientes carregados em casa a R$ 1 por kWh.

Quanto custa carregar em eletroposto público?

As fontes citam de R$ 1,50 a R$ 2,50 por kWh, chegando a R$ 3,50 em alguns carregadores rápidos. Para o Dolphin Mini, uma carga completa sai por cerca de R$ 58 a R$ 97, e cada operador define seu preço.

Fontes

Escrito por

Fábio Morais

Fábio Morais é o criador do Voltagem. Acompanha de perto o mercado de carros elétricos e híbridos no Brasil e escreve para ajudar quem quer entender, escolher e conviver com um eletrificado sem complicação.

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